17 de janeiro de 2018

Hipocrisia da OTAN e União Europeia para com a Rússia faz lembrar Europa de Hitler


Hipocrisia da OTAN e União Europeia para com a Rússia faz lembrar Europa de Hitler

Rodney Atkinson
Comentário de Julio Severo: Rodney Atkinson, com quem tenho contato há anos, é um líder conservador britânico. Ele é irmão do famoso comediante britânico “Mr. Bean.” Apresento o artigo dele em português porque acredito que não haja nada parecido. Eis o artigo de Atkinson:
A hipocrisia da OTAN em seus ataques à Rússia e outros países da Europa Oriental depois da queda do Muro de Berlim tem totalmente as marcas registradas da Europa de Hitler (em que ele repetidamente dizia que não tinha “mais nenhuma reivindicação territorial” ao mesmo tempo em que prosseguia suas conquistas) e da União Europeia (em que o Tribunal Europeu de Justiça se vê como uma organização política expandindo o poder da UE e afirma que as palavras dos políticos e “meros documentos de declarações” não têm força).
O grande símbolo da Guerra Fria era o Muro que dividia Berlim entre o Leste comunista e o Oeste democrático. O Muro caiu em 1989 porque o presidente russo Mikhail Gorbachev permitiu que caísse. E foram precisamente as palavras de grandes políticos ocidentais durante o ano de 1990 que deram garantias à Rússia que possibilitaram o colapso pacífico do comunismo soviético e o fim da divisão da Europa. Possibilitaram que Moscou terminasse a Guerra Fria e liberasse os ex-países do Pacto de Varsóvia para se tornarem nações independentes.
Prova das palavras fortes de compromisso dadas pelos países da OTAN para Mikhail Gorbachev em 1990 são 30 documentos cruciais que o Arquivo de Segurança Nacional dos EUA tornou acessíveis.
Em fevereiro de 1990, James Baker, secretário de Estado de George H. W. Bush, garantiu a seu colega soviético Eduard Shevardnadze que a OTAN seria
“menos de uma organização militar, mais de uma organização política, e não teria nenhuma necessidade de capacidade independente.”
e ofereceu:
“garantias rígidas de que a jurisdição ou exércitos da OTAN não avançariam para o leste.”
Baker ainda prometeu a Gorbachev que a OTAN não avançaria
“um único centímetro para o leste.”
Em 10 de fevereiro de 1990, Helmut Kohl disse a Gorbachev
“Cremos que a OTAN não deveria expandir a esfera de sua atividade. Temos de encontrar uma solução razoável. Corretamente entendo os interesses de segurança da União Soviética, e compreendo que você, senhor Secretário-Geral, e a liderança soviética terão de explicar claramente o que está acontecendo ao povo soviético.”
Mais tarde naquele mês, conversando com Vaclav Havel, o presidente Tchecoslováquia (sim, esse país ainda existia então!), o presidente George H. W. Bush disse:
“Diga a Gorbachev que… eu lhe pedi que dissesse a Gorbachev que não nos conduziremos com relação à Tchecoslováquia ou qualquer outro país de um modo que agrave os problemas que ele discutiu comigo de forma tão sincera.”
Em outras palavras, os países recém-independentes do Leste Europeu gozariam a independência e soberania que a queda da União Soviética e o fim do Pacto de Varsóvia lhes haviam dado. Aliás, essas foram exatamente as liberdades que os Aliados anti-nazistas, inclusive a Rússia, haviam conseguido em 1945.
É claro que o que aconteceu e continua a acontecer é que todas essas promessas foram quebradas e a OTAN avançou suas bases militares mais para o Leste ainda, uma Alemanha unida se tornou membro da OTAN (não só uma das principais preocupações da Rússia, mas também do presidente Mitterand da França) e então cada um dos países da Europa Oriental para cuja independência Gorbachev buscou e obteve garantias não só foram absorvidos pela OTAN, mas foram dominados pelo braço constitucional político da OTAN — a União Europeia que conquista tudo e que não tolera identidade nacional, independência e até democracia!
Bush, tendo garantido a Gorbachev e ao presidente tcheco que não haveria “mais nenhuma reivindicação territorial,” então, como os exércitos de Hitler e a Europa fascista das décadas de 1930 e 1940, marchou em frente

A Resposta Fascista da OTAN:

Mas talvez o aspecto mais horrível e assustador dessas mentiras e engano da OTAN e UE (desgraçadamente com o apoio de uma decadente classe britânica que não tem a mínima ideia do motivo por que fomos para a guerra em 1939 nem o que realizamos no nome da identidade nacional democrática em 1945) foi a subsequente racionalização e justificação dessas traições.
Em face da evidência devastadora acima acerca da renegação desses compromissos, a OTAN agora afirma:
“Os aliados da OTAN tomam decisões por consenso e essas decisões são registradas. Não existe registro de qualquer decisão que tenha sido tomada pela OTAN. Garantias pessoais, de líderes da OTAN, não podem substituir consenso de aliança e não constituem um acordo formal da OTAN.”
Sieg Heil! Alguém ainda vai crer na palavra dos líderes da OTAN de novo?
Embora tenha sido evidente para observadores bem informados há anos que os agressores reais na Iugoslávia, Europa Oriental e Ucrânia foi a OTAN e os imperialistas sedentos de expansão da UE, os povos do Ocidente têm sido bombardeados com propaganda de mídia de massa de uma espécie que teria dado orgulho a Goebbels. Mas essa propaganda tem sido tão perversa que milhões na Europa e nos EUA não têm acreditado nela.
Agora que muito mais pessoas podem ler essas palavras e essas promessas dadas — e quebradas — de seus líderes “democráticos,” a minoria revoltada deveria se tornar a maioria mais revoltada.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do site Free Nations: NATO/EU Duplicity to Russia Recalls Hitler’s Europe
Outro artigo de Rodney Atkinson:
Ucrânia: Alemanha avança para o Leste
Leitura recomendada:

15 de janeiro de 2018

Dívida, caridade ou controle populacional? Trump designa 55 milhões de dólares para a USAID “ajudar” cristãos iraquianos


Dívida, caridade ou controle populacional? Trump designa 55 milhões de dólares para a USAID “ajudar” cristãos iraquianos

Julio Severo
A imprensa cristã está aclamando esforços do presidente americano Donald Trump de ajudar os cristãos no Iraque.
A Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (conhecida pela sigla USAID) disse na semana passada que 55 milhões de um montante de 75 milhões de dólares de dinheiro de assistência para ações do Programa de Desenvolvimento da ONU (PDONU) irão para tratar de grupos minoritários em regiões do norte do Iraque retomadas do Estado Islâmico (ISIS).
A FoxNews noticiou: “O pagamento da USAID já encaminhado ao PDONU deve ter como alvo especial ‘aqueles que foram vítimas das atrocidades do ISIS.’”
De acordo com o comunicado de imprensa da USAID: “A Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) e o Programa de Desenvolvimento da ONU (PDONU) concordaram em aumentar a assistência aos iraquianos, principalmente minorias religiosas e étnicas, para lhes possibilitar voltar para seus lares em regiões libertas do ISIS.”
Entretanto, há preocupações.
“O PDONU tem tido problemas horríveis de má administração, não é transparente e deliberadamente tem marginalizado o genocídio que mira as minorias cristãs e Yazidi nos últimos dois anos,” comenta Nina Shea, diretora do Centro de Liberdade Religiosa no Instituto Hudson, e uma crítica forte da conduta da ONU para com os refugiados de minorias.
“O que me preocupa é que a maior parte do dinheiro [de Trump] para os cristãos, a vasta maioria dele, está indo por meio da ONU,” disse Shea.
“Não tenho confiança no PDONU,” disse ela.
Shea está certa sobre o PDONU. De acordo com Facts of Life (Fatos da Vida), um manual pró-vida publicado por Human Life International (HLI) e escrito pelo Dr. Brian Clowes, o Programa de Desenvolvimento da ONU tem parcerias com organizações pró-aborto, inclusive a Federação Internacional de Planejamento Familiar.
Contudo, a USAID também não merece nenhuma confiança no que se refere ao controle populacional.
“O Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos é o órgão das decisões mais elevadas sobre política externa nos EUA. Em 10 de dezembro de 1974, esse conselho promulgou um documento extremamente secreto intitulado Memorando de Estudo de Segurança Nacional 200 (do original em inglês ‘National Security Study Memorandum 200,’ cuja sigla é NSSM 200), também conhecido como Relatório Kissinger. Seu assunto era ‘Implicações do Crescimento da População Mundial para a Segurança e Interesses Externos dos EUA.’ Esse documento, publicado logo depois da primeira grande conferência internacional de população em Bucareste, foi o resultado da colaboração entre a Agência Central de Inteligência (CIA), a Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) e o Departamento de Estado… Embora o governo dos EUA tenha publicado centenas de documentos de políticas lidando com vários aspectos da segurança nacional americana desde 1974, o NSSM 200 continua a ser o documento fundamental sobre controle populacional elaborado pelo governo dos Estados Unidos. Portanto, o NSSM 200 continua a representar a política oficial dos Estados Unidos sobre controle populacional.”
O NSSM 200, que foi emitido sob um governo republicano (“conservador” e “direitista”), apresenta estratégias dos EUA para integrar medidas de controle populacional (chamadas eufemisticamente de “planejamento familiar”) e serviços médicos. A USAID estava ativamente envolvida na elaboração e implementação do NSSM 200, que menciona o PDONU como incluído em seus esforços.
Que tipo de “assistência” dois órgãos de controle populacional (USAID e PDONU) darão aos cristãos iraquianos que sobreviveram ao ISIS?
O jornal Washington Free Beacon obteve fotos dos projetos do Programa de Desenvolvimento da ONU em cidades cristãs e Yazidi no norte do Iraque, mostrando projetos “finalizados” de escolas que nada mais eram do que camada fina de tinta nas paredes externas com o símbolo do UNICEF pintado a cada metro.
Dentro do prédio, as salas permaneciam intactas e inutilizáveis, sem água corrente, eletricidade e móveis.
Geralmente, a única coisa que não falta em tais áreas de necessidade medonha é controle populacional. Ainda que haja falta de tudo necessário, há abundância de anticoncepcionais, camisinhas, DIUs, etc.
Os cristãos merecem isso?
Cristãos iraquianos
Do governo dos EUA, os cristãos iraquianos merecem indenizações. Em 2016, o candidato presidencial republicano Trump acusou o presidente americano Barack Obama de ter fundado o grupo terrorista Estado Islâmico.
Essa é uma acusação muito séria. Se Trump estava certo, o governo dos EUA sob Obama cometeu crimes contra cristãos vulneráveis ao treinar, financiar e armar o ISIS, que estuprou, torturou e massacrou cristãos.
Os cristãos iraquianos merecem muito mais do que “assistência” de controle populacional. Eles merecem indenizações, inclusive armas para se defenderem. Se o governo dos EUA sob Obama pôde dar armas para o ISIS e outros grupos islâmicos para atacar cristãos, por que o governo dos EUA sob Trump não pode dar armas para os cristãos se defenderem?
No nome do governo dos EUA, Trump deve desculpas oficiais aos cristãos iraquianos e a todas as vítimas do ISIS criado por Obama. Essas desculpas já deveriam ter sido feitas há muito tempo.
O controle populacional não é assistência. É finalizar o extermínio que o ISIS começou.
Líderes pró-vida deveriam fazer contato com Trump e pedir uma revisão total da USAID e sua “assistência.”
Além disso, o governo de Trump deveria abrir as portas dos EUA para os cristãos iraquianos que sobreviveram ao ISIS. Afinal, eles foram vítimas de um grupo terrorista islâmico criado por um presidente americano. Acolhê-los como refugiados é muito mais do que caridade. É indenização devida.
A economia dos EUA tem crescido sob Trump. Por que não usar uma boa parte desses lucros ($7 bilhões seriam um bom começo) para ajudar as vítimas do ISIS?
Com informações da USAID, Christian Post, FoxNews, The Hill, Aleteia e Free Beacon.
Leitura recomendada:

13 de janeiro de 2018

GospelPrime: Estudo comprova que vivemos a pior perseguição aos cristãos da história


GospelPrime: Estudo comprova que vivemos a pior perseguição aos cristãos da história

Julio Severo
“Um novo estudo, publicado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), mostra que a perseguição entre 2015 e 2017 é a pior da história. Com o título “Perseguidos e Esquecidos?”, o material está disponível gratuitamente em português AQUI,” disse o GospelPrime, em matéria assinada por Jarbas Aragão.
Publico a matéria, originalmente intitulada “Estudo comprova que vivemos a pior perseguição aos cristãos da história,” com adições dos meus comentários, devidamente marcados:
Em comparação com o último levantamento do tipo, feito pela AIS no biênio 2013-2015, a situação piorou na maioria dos países onde já não havia liberdade religiosa.
Em pleno século 21, os cristãos de todas as tradições continuam sendo assassinados, torturados e presos por não negarem a sua fé. O material, que tem a chancela do Vaticano, estuda os casos de intolerância contra cristãos, sejam eles católicos, ortodoxos ou protestantes (evangélicos).
São apresentados perfis dos 13 países onde a situação é mais grave: China, Egito, Eritreia, Índia, Irã, Iraque, Nigéria, Coréia do Norte, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Síria e Turquia.
O relatório cruza seus dados com outras pesquisas similares, realizadas pelo Centro de Pesquisa Pew. Eles mostram que, em 2014, havia 108 países onde os cristãos eram vítimas de perseguições, enquanto que 2015, esse número passou para 128 países.
A Coréia do Norte continua sendo o pior país para um cristão viver, seguido pela situação na Síria e no Iraque, dominadas até recentemente pelos jihadistas do Estado Islâmico.
Abaixo, fazemos um breve resumo da situação nos 13 países analisados pela AIS, onde ocorrem constantes violações dos direitos humanos como: violência, sequestros, prisões injustificadas, julgamentos injustos, proibições de culto ou de manifestações religiosas.

China: imposição do comunismo ateísta

Para muitos especialistas, o governo de Xi Jinping pode ser comparado ao de Mao Tsé-Tung, que tentou eliminar o cristianismo do país por considera-lo uma ameaça ao ideal comunista, que é inerentemente ateu.
Nos últimos anos, a situação dos cristãos no país piorou. Novas leis resultaram na destruição das igrejas e a retirada das cruzes do alto dos templos. Existe uma vigilância maior sobre o que é pregado nas igrejas e proibição que se ensine a Bíblia para as crianças.
Comentário de Julio Severo: Os Estados Unidos não só são o maior aliado econômico da China, mas também responsáveis pela incomparável ascensão econômica chinesa. Desde governos republicanos até democratas dos EUA incentivaram a mudança de milhares de fábricas americanas para a China, e o resultado é que a China se tornou uma potência econômica e em poucos anos ultrapassará os EUA, se tornando a maior potência econômica do mundo. Normalmente, o governo dos EUA usa a questão de perseguição e violação de direitos humanos como pretexto para aplicar sanções num país, mas não no caso da China, que está totalmente livre de sanções americanas, mesmo sendo o país mais comunista do mundo.

Egito: mais ataques sangrentos

Mais de uma centena foram mortos em três ataques a igrejas, além de numerosas execuções individuais de cristãos mortos nas mãos de extremistas islâmicos.
Os casos de maior repercussão foram em dezembro de 2016, quando um homem-bomba se explodiu em uma igreja, matando 29 pessoas e ferindo outras 50. Em abril de 2017, outros dois homens-bomba mataram 44 e deixaram 120 feridos em uma celebração de Páscoa.
Comentário de Julio Severo: O Egito é, oficialmente, aliado dos EUA. Se o governo dos EUA tivesse real interesse na violação de direitos humanos dos cristãos no Egito, faria o que habitualmente faz com nações de quem não gosta: aplicaria sanções.

Eritreia: presos por sua fé

O governo aumentou a repressão, prendendo todos que se opõem ao crescente controle de grupos religiosos. Muitos cristãos optaram em fugir do país.
Organizações de defesa dos direitos humanos já relataram que há casos de igrejas que foram demolidas quando havia fiéis em seu interior.

Índia: embate com o nacionalismo hindu

Os cristãos sofrem com uma nova onda de violência que não parou desde as eleições de março de 2017. Nos primeiros cinco meses de 2017 houve 316 incidentes contra cristãos.
Partidos nacionalistas querem que o hinduísmo volte a ser a única religião aceita no país e há movimentos radicais que atacam e matam líderes cristãos que evangelizam hindus.

Irã: medo da religião ‘estrangeira’

O atual Irã, antes da revolução islâmica de 1979, era um dos países mais desenvolvidos do Oriente Médio e tinha liberdade religiosa. Em pouco tempo, o feroz sentimento anticristão imposto pelos aiatolás fez com que as igrejas desaparecessem.
Nos últimos anos, o governo e a mídia vem imponto uma repressão severa à evangelização, prendendo líderes cristãos e confiscando propriedades que eram usadas para cultos ‘ilegais’. A justificativa é que os cristãos são fruto do trabalho de “agentes” estrangeiros, que atentam contra o domínio islâmico.
Comentário de Julio Severo: Embora a perseguição aos cristãos não seja no Irã tão atroz como é na Arábia Saudita, os EUA aplicam sanções no Irã e garantem total impunidade aos sauditas. Para uma comparação entre a situação iraniana e a situação saudita, confira o artigo: Israel condena Irã, não a Arábia Saudita, por perseguir cristãos

Iraque: mais de 80% dos cristãos morreram ou foram expulsos

O Estado Islâmico tentou eliminar o cristianismo nas áreas sob seu controle, destruindo as igrejas e forçando as pessoas a trocarem Jesus por Maomé. Os que se negavam eram mortos. Estima-se que mais de 80% dos cristãos iraquianos morreram ou foram expulsos do país.
Por exemplo, hoje quase não há cristãos na esplanada de Nínive, que durante quase dois mil anos foi um oásis cristão em um deserto muçulmano.
Comentário de Julio Severo: A redução da população cristã iraquiana ocorreu, reconhecidamente, na esteira da invasão americana ao Iraque, trazendo como uma das principais consequências o surgimento do ISIS, criado pelo governo americano sob Obama com ajuda saudita. Foi um dos maiores genocídios de cristãos da história moderna, numa parceria macabra entre EUA e Arábia Saudita usando o ISIS.

Nigéria: limpeza étnica e religiosa

Além de sofrer com o Boko Haran, grupo jihadista que domina o norte do país e tenta proclamar ali seu califado islâmico, os cristãos que vivem ao sul são perseguidos pelos fulani.
A etnia fulani, historicamente islâmica, está presente em vários países. Contudo, na Nigéria eles são responsáveis por ataques que resultaram na demolição de igrejas e massacre de cristãos desarmados. Apesar das denúncias, o governo do presidente Muhammadu Buhari, que é muçulmano, minimiza os casos, dizendo se tratar de conflitos étnicos.
Comentário de Julio Severo: A derrubada do governo do ditador islâmico Muamar Kaddafi, que tolerava os cristãos, abriu espaço para a atuação do ISIS não só na Líbia, mas também em todo o Norte da África, inclusive a Nigéria. Quem efetuou a derrubada de Kaddafi foi Obama com a ajuda da OTAN.

Coréia do Norte: os cristãos são os novos judeus

Os cristãos norte-coreanos são sistematicamente enviados para campos de trabalhos forçados onde há execuções, tortura, fome, abortos forçados e estupro. A perseguição e o extermínio contínuo se assemelham ao que ocorreu no Holocausto judeu na Segunda Guerra Mundial.

Paquistão: o governo patrocina o terror

A discriminação contra os cristãos é comum, num país onde eles são cerca de 1%. Além das prisões e mortes justificadas pelas “leis antiblasfêmia”, o próprio governo sabidamente é responsável por ordenar os ataques.

Arábia Saudita: inferno na Terra

O cristianismo sempre foi ilegal na Arábia Saudita. O Estado adotou a lei sharia e aplica a pena de morte aos muçulmanos que se convertem a Jesus.
Não é permitido construir igrejas, a venda de Bíblias e os cristãos conhecidos são todos estrangeiros que trabalham no país. Segundo o AIS, por ser o berço do islamismo, é o único país em que a situação dos cristãos nunca mudou ao longo da história, pois não há como piorar.
Comentário de Julio Severo: O caso saudita é, em todo sentido, digno de sanção, por ser muito pior do que o caso iraniano. Mesmo assim, os EUA sob Obama tratavam a Arábia Saudita com impunidade. O atual governo de Trump repete o tratamento de impunidade aos sauditas, chegando ao ponto de lhes dar preferência como se a Arábia Saudita fosse o contrário do que é. Numa das primeiras medidas de seu governo, Trump enviou o próprio diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita por “combater o terrorismo.” É como premiar o nazismo por combater a perseguição aos judeus. A Arábia Saudita é o principal patrocinador do terrorismo islâmico mundial. Esse terrorismo sempre inclui perseguição e matança de cristãos. Na sua primeira viagem internacional, o primeiro país que Trump visitou foi a Arábia Saudita, não para repreendê-los por perseguir cristãos nem para aplicar sanções. Foi para fazer a maior venda de armas da história dos EUA. Se a Arábia Saudita já armava o ISIS para perseguir os cristãos, o que Trump espera de sua grande venda de armas aos muçulmanos sauditas? Que eles usem seu farto armamento americano para amar os cristãos que precisam se defender do ISIS?

Sudão: governo patrocina o ódio

Após uma guerra civil, em 2011 a maioria dos cristãos do Sudão foram para o Sudão do Sul, que se tornou um país independente. Para os que permaneceram no Sudão, a perseguição aumentou, com o governo aprovando leis que permitem a destruirão de igrejas e a prisão de pastores, numa clara tentativa de se eliminar o cristianismo.
Comentário de Julio Severo: No Sudão o ditador islâmico tortura e mata cristãos, mas em vez de sofrer sanções dos EUA, recebe a posição de aliado, pelo fato de que o Sudão islâmico é aliado da Arábia Saudita. Confira neste artigo: Ditador assassino de massas se torna amigo dos EUA

Síria: cristãos encurralados

O mundo acompanhou por anos os terríveis atos do Estado Islâmico (EI), que resultaram em um genocídio atroz de cristãos. Mesmo assim, a ONU negou-se a reconhecer que a eliminação do cristianismo era planejada. A maior parte dos cristãos da Síria foi morta ou abandonou o país em meio à crise migratória.
Nas áreas que voltaram ao controle do governo sírio, a situação mudou pouco, pois os cristãos continuam encurralados por diferentes grupos islâmicos que lutam para tomar o espaço do EI.
Comentário de Julio Severo: A reportagem do GospelPrime acerta ao dizer que na Síria houve uma ação planejada do ISIS para eliminar os cristãos, mas erra feio ao dizer que sob o governo sírio mudou pouco por causa dos diferentes grupos que lutam para substituir o ISIS. Esses grupos na verdade são os chamados rebeldes sírios, treinados e armados pelos EUA desde o governo de Obama. Trump continua a fazer o que Obama fazia: treinando e armando grupos islâmicos que matam cristãos na Síria. Apesar disso, a reportagem do GospelPrime isentou totalmente os EUA e a Arábia Saudita, que estão ativamente (e diabolicamente) envolvidos no caos sírio.

Turquia: novo califado otomano

Com a consolidação de Erdogan no poder, a Turquia caminha para voltar a ser uma república islâmica. Tudo indica que o presidente, além de querer estabelecer-se como o novo califa otomano, perseguirá os cristãos com dureza, para mostrar ao mundo islâmico sua imagem como líder forte que atua contra os hereges.
Além da crescente intolerância, o governo apropriou-se um grande número de templos e prendeu pastores sem motivo oficial.
Comentário de Julio Severo: A Turquia é oficialmente o maior aliado islâmico dos EUA na OTAN. Se quisessem, os EUA poderiam aplicar sanções na Turquia, mas não aplicam.
Resumo feito por Julio Severo: A maioria desses países que mais perseguem os cristãos são aliados dos EUA, que os tratam com impunidade. Os EUA só não tratam impunemente o Irã e a Síria porque a Arábia Saudita é inimiga do governo iraniano e sírio. Quando os EUA, a maior nação evangélica do mundo, querem aplicar sanções, aplicam; quando não querem, não aplicam.
Leitura recomendada:

12 de janeiro de 2018

Usando Trump como plataforma para glorificar a Inquisição?


Usando Trump como plataforma para glorificar a Inquisição?

Trump é tão demonizado quanto a Inquisição, diz direitista católico

Julio Severo
No mundo real, o presidente americano Donald Trump não tem nada a ver com a Inquisição. Mas no mundo da ficção ideológica e fanatismo religioso, tudo é possível.
Em seu artigo “A Inquisição e Donald Trump: o choque de civilizações ontem e hoje,” o autor católico Mateus de Castro louva os esforços de Trump de proteger os EUA do islamismo e o usa, como comparação, para descrever a Inquisição como um esforço semelhante da Igreja Católica para proteger a Europa do islamismo.
No entanto, a Inquisição não nasceu como um esforço para combater exclusivamente o islamismo. Por séculos, a Igreja Católica e as nações católicas já aplicavam a Inquisição contra cristãos que seguiam a Cristo não de acordo com os mandamentos estritos do Vaticano.
A Inquisição combatia qualquer ideia, e as pessoas que apoiavam essas ideias, contra o monopólio católico. Não só muçulmanos, mas também judeus e protestantes eram visados.
Pelo fato de que o islamismo é violento, não me oponho à Inquisição tratando severamente os muçulmanos. Mas judeus e protestantes inocentes eram torturados, saqueados e massacrados pela Inquisição, cuja missão era destruir tudo o que era oposto ao Vaticano.
Mesmo assim, Mateus de Castro defende o argumento de que exatamente como Trump é demonizado por sua postura sobre o islamismo, assim também a Inquisição é “demonizada.” Ele chega a retratar a Inquisição como um “escudo” contra o islamismo. Essa é uma opinião bizarra. Por alguma razão misteriosa, o crescimento de sentimentos conservadores no Brasil está produzindo resultados bizarros entre católicos.
Ainda que o Brasil seja o maior país católico do mundo, o avanço conservador tem vindo dos evangélicos, conforme reconhecido mesmo pela revista americana The Nation. A vitória conservadora mais proeminente foi conseguida com o impeachment da presidente marxista Dilma Rousseff em 2016. O processo de impeachment foi possibilitado graças a um líder evangélico chamado Eduardo Cunha, que estava na lista negra dos marxistas como seu inimigo número 1.
O principal movimento marxista do Brasil, o Partido dos Trabalhadores de Dilma, foi fundado por uma maioria católica com a assistência de muitos bispos católicos.
Inicialmente, a reação católica conservadora no Brasil defendia ideias pró-vida. Mas ultimamente essa reação tem ficado mais radical e posturas pró-Inquisição estridentes estão dominando a cosmovisão de muitos conservadores católicos. Uma simples pesquisa de Google sobre “Inquisição” e “conservador” dá quase 300 mil resultados! Esse número impressionante mostra que a defesa da Inquisição se tornou um assunto muito proeminente entre católicos conservadores do Brasil. Há milhares e milhares de sites e blogs de orientação católica exaltando as virtudes alegadas da Inquisição. Um verdadeiro tsunami de obsessão pró-Inquisição está dominando os católicos conservadores.
Direitistas católicos radicais como Mateus de Castro se sentem à vontade para usar qualquer assunto para defender e desculpar a Inquisição. Então se Trump é demonizado por banir a imigração islâmica, ei, a Inquisição é tão “demonizada” quanto Trump!
Se o conservadorismo é atacado, ei, a Inquisição sofre o mesmo abuso!
Castro usa como base para defender a Inquisição Henry Kamen, que ele alega ser “o maior especialista na Inquisição Espanhola do século XX.”
Kamen é reconhecido como um revisionista, que mudou a história como ela realmente foi.
O revisionismo é uma ferramenta especialmente usada por marxistas. O revisionismo mais proeminente foca no Holocausto. Tipicamente, os revisionistas reduzem os números das vítimas judias do Holocausto e seus sofrimentos.
O maior especialista real sobre a Inquisição é o pai do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Ele escreveu “The Origins of the Inquisition in Fifteenth Century Spain” (As Origens da Inquisição na Espanha do Século Quinze), um livro que em grande parte gira em torno de católicos espanhóis questionando, torturando, castigando e queimando judeus. Seu livro é história real, não revisão para agradar àqueles que defendem a Inquisição.
O artigo de Castro foi publicado no site direitista Senso Incomum. É realmente senso muito incomum ou mau promover a reabilitação da Inquisição como um componente importante no conservadorismo. Não faz sentido colocar no mesmo nível o conservadorismo e o revisionismo da Inquisição. Não faz sentido para um site direitista como Senso Incomum colocar Trump e a Inquisição no mesmo nível. Mas tal mau senso é agora moda entre direitistas católicos, que estão engajados na missão vergonhosa, anticristã e anticonservadora de glorificar a Inquisição.
Castro diz que os EUA enfrentam hoje a mesma ameaça islâmica que a Europa enfrentou 500 anos atrás, e ele quase disse que a Inquisição é necessária hoje. Contudo, outros direitistas católicos têm sido mais francos sobre a “necessidade” da Inquisição hoje. O escritor católico Theodore Shoebat sugeriu que o único jeito de exterminar a agenda homossexual é por um “reavivamento” católico, com uma Inquisição que aplicará a pena de morte nos homossexuais.
Tal “reavivamento” católico, com um conservadorismo mal-orientado, não deixará os protestantes e judeus eventualmente ilesos. Aliás, por vários anos escritores católicos “conservadores” têm chamado os protestantes de “hereges.” Os “hereges” eram as principais vítimas da Inquisição.
Um reavivamento cristão real produz paixão por Cristo e arrependimento. No Brasil, o “reavivamento” direitista católico está produzindo paixão pela Inquisição e nenhum arrependimento. É uma das tendências mais bizarras entre católicos brasileiros.
Conservadorismo cristão e defesa da Inquisição é uma contradição imensa. Mesmo assim, Castro disse, como desculpa: “Para isso, temos que passar pela espinhosa tarefa de revelar que a teologia islâmica é baseada em dominação, e não em conversão espontânea.”
Sim, o islamismo é baseado na dominação e conversão forçada. Mas o catolicismo medieval, louvado por Castro, era igualmente baseado na dominação e conversões forçadas. Ou você era católico ou contra o catolicismo. Só católicos eram protegidos. Judeus e cristãos não católicos estavam em eterno perigo de cair vítimas da Inquisição.
Exatamente como no caso do aborto, quando os conservadores consideram a situação difícil das vítimas; exatamente como no caso do comunismo, quando os conservadores consideram a situação difícil das vítimas, o caso da Inquisição merece o mesmo tratamento: as vítimas judias e protestantes em sua situação difícil, não seu opressor, merecem atenção e defesa. Escolher a Inquisição é como escolher assassinos comunistas e assassinos de bebês (médicos aborteiros) em vez de suas vítimas.
Usar o movimento conservador como plataforma para sanear a Inquisição é um desserviço ao conservadorismo e Cristianismo. Dizer que a Inquisição é “demonizada” é fazer dessa máquina assassina uma vítima, quando as vítimas reais eram judeus e protestantes.
Usar o movimento conservador como plataforma para promover o revisionismo da Inquisição, como direitistas católicos no Brasil estão fazendo frequentemente, acabará destruindo toda esperança conservadora para os católicos do Brasil.
Usar o movimento pró-vida como plataforma para defender o revisionismo da Inquisição, como direitistas católicos no Brasil estão fazendo frequentemente, acabará prejudicando a causa pró-vida entre os católicos do Brasil.
Usar a demonização de Trump como exemplo de como a Inquisição é “demonizada” só mostra que o movimento católico “conservador” brasileiro está doente ou mesmo sob possessão demoníaca.
Só Cristo pode curar doenças espirituais e expulsar demônios.
Só um verdadeiro reavivamento cristão pode livrar os católicos do “reavivamento” católico fajuto que está saneando a Inquisição.
Leitura recomendada: